
O BARROCO no Rio de Janeiro, Igreja da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência
O Barroco no Rio de Janeiro
No Rio de Janeiro, o Barroco manifestou-se em importantes edificações, como o conjunto monástico de São Bento (1617), a Igreja da Glória do Outeiro (1758), o Convento de Santo Antônio (c. 1720), a Igreja da Ordem Terceira de São Francisco (1653-1773) e a Igreja São Pedro dos Clérigos (demolida na década de 1940 para a construção da Avenida Presidente Vargas). Essas igrejas passaram por sucessivas transformações, apresentando, por vezes, diferentes estilos em suas fachadas, talhas e capelas, o que evidencia a convivência entre o Barroco e o Rococó.
Igreja da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência
Considerada um dos principais exemplos do Barroco carioca, a Igreja da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência é reconhecida pela sua exuberante talha dourada em cedro, obra de artistas como Francisco Xavier de Brito. Destaca-se ainda o forro da nave central, onde se encontra a pintura “Glorificação de São Francisco”, a primeira obra em perspectiva realizada no Brasil, assinada pelo português Caetano da Costa Coelho.
A Ordem dos Terceiros de São Francisco instalou-se no Rio de Janeiro em 1619, inicialmente ocupando uma capela anexa ao Convento de Santo Antônio, no alto do morro de mesmo nome. Na metade do século XVII, os franciscanos cederam um terreno ao lado da igreja para que a Ordem construísse seu próprio templo. Assim, a Igreja de São Francisco da Penitência foi erguida, com obras intermitentes, entre 1657 e 1733.
Além da igreja, a Ordem construiu no século XVIII o Hospital de São Francisco da Penitência, localizado no largo em frente ao morro (largo da Carioca). No início do século XX, durante as reformas urbanas conduzidas pelo prefeito Pereira Passos, o hospital foi transferido para a Tijuca e o edifício original foi demolido.
Arquitetura e Decoração
A fachada da igreja é peculiar para um edifício religioso, sendo dividida em três corpos, cada um com seu próprio portal, dois janelões e telhado independente. Os portais, feitos de pedra de lioz importada de Portugal, exibem no corpo central um portal mais elaborado, com cunhais torcidos — típicos do Barroco — e um medalhão com o brasão da ordem. O frontão central é ondulado e possui um óculo.
O interior da igreja é simples em planta — retangular com uma nave —, mas notável pela unidade do estilo e pela qualidade da talha dourada que cobre altares e paredes, além do forro de madeira pintado no teto. O trabalho de talha foi realizado pelos portugueses Manuel de Brito e Francisco Xavier de Brito, entre 1726 e 1743, sendo característico da chamada talha joanina, típica do reinado de D. João V. Posteriormente, Francisco Xavier de Brito levou este estilo para Minas Gerais, decorando partes da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar, em Ouro Preto, o que influenciou fortemente a estética joanina na região.
No lado esquerdo da igreja encontra-se a Capela da Conceição, conectada à igreja do convento vizinho e também decorada com exuberante talha dourada.
Pintura e Técnicas Artísticas
A decoração da igreja é enriquecida pela pintura do teto de madeira, representando a “Glorificação de São Francisco”, realizada por Caetano da Costa Coelho entre 1736 e 1741, em estilo ilusionista barroco. O mesmo artista, após concluir esse trabalho, foi responsável pelo douramento da talha da igreja do mosteiro de São Bento, também no Rio de Janeiro, em 1742. A pintura do teto da Igreja de São Francisco da Penitência é a primeira realizada com técnica de perspectiva no Brasil, recurso que seria amplamente empregado em igrejas coloniais de Minas Gerais, Pernambuco e Bahia. Caetano da Costa Coelho também foi responsável pelo douramento da talha da igreja e pela execução dos painéis laterais da capela-mor.
Fontes: https://bndigital.bn.gov.br/





