
Helô Pinheiro - Garota de Ipanema
Heloisa (Helô) tinha 19 anos quando foi vista por Tom Jobim e Vinicius de Moraes no bar-restaurante Veloso, hoje onde está o atual Garota de Ipanema. Era professora primária e não estava “a caminho do mar” quando foi vista por eles, pois não precisava passar pelo bar para ir à praia — morava na rua Montenegro, 22, quase esquina com a Vieira Souto. Sim, Helô ia sempre ao Veloso, mas para comprar cigarros para a mãe. E Tom e Vinicius não eram os únicos de olho em seus cabelos pretos, olhos azuis, corpo perfeito e doce balanço. O primeiro a cantar sua beleza foi Ronaldo Bôscoli, letrista da Bossa Nova e repórter. Ele estampou-a na capa do número 53 da revista Fatos & Fotos de 3 de fevereiro de 1962.
Helô inspirou a canção composta no primeiro semestre de 1962, mas levou dois anos e meio para descobrir que era a garota a quem Tom e Vinicius se referiam. O motivo foi que, em 1962, não era “normal” que homens casados, respeitáveis e comparativamente idosos (Tom com 35 anos e Vinicius com 50) fizessem uma música inspirada numa menina “de família” sem lhe pedir permissão.
Em 1964, a canção estourou internacionalmente. Vinicius contou tudo para a revista Manchete, dando o nome de Helô. A partir dali, Heloisa Eneida tornou-se, para todos os efeitos, o símbolo de Ipanema.
Helô estava prestes a se casar em 1965 e rejeitou propostas para aparecer como a garota da canção. Nem foi protagonista do filme “Garota de Ipanema” e passou os 12 anos seguintes como dona de casa, criando filhos. Foi em 1978 que tornou-se apresentadora de televisão e, ao final, fez vários filmes e novelas, infelizmente medíocres. Os tempos haviam mudado e, satisfazendo uma antiga curiosidade nacional, mostrou na Playboy, em 1987, tudo com que ninguém sequer ousava sonhar em 1962.
Heloisa lançou, em 1999, sua própria grife de moda praia, intitulada Garota de Ipanema, com lojas em vários estados do país. Já em 2009, lançou sua segunda grife de roupas. Nascida em 1943, hoje, com 82 anos, continua participando de eventos e reportagens de TV e revistas.
Fontes: “Ela é Carioca”, Ruy Castro, Companhia das Letras, 1999.




