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Sagüis ameaçam existência de pássaros, nas zonas urbanas do Rio
Fonte: "O GLOBO - G1" - Maio-2007
Dório Victor
From: Márcia Cristina Silveira
População de micos aumentou significativamente na cidade.
Seu principal alimento são ovos de pássaros.
Além de enfrentar a poluição e a falta de arborização, os pássaros
que vivem nas zonas urbanas do Rio de Janeiro agora têm que encarar
mais um adversário para sobreviver: o macaco sagüi, da espécie
Callithrix jacchus, que tem como principal alimento ovos de aves.
Por ser um predador novo, os pássaros ainda não adaptaram seus
ninhos para proteger seus ovos, que se tornam alvos fáceis para
os sagüis.
Segundo o coordenador no Brasil da Organização Não Governamental
(ONG) BirdLife, Pedro Develey, os pássaros das zonas urbanas do
Rio não estão ameaçados de extinção da fauna brasileira, mas sua
população nas cidades poderá diminuir drasticamente caso o número
de sagüis continue a crescer.
Por ser um predador novo, as aves ainda não fazem seus ninhos em
lugares mais altos ou protegidos com galhos para evitar que os
micos peguem seus ovos. Eles atacam o ninho de qualquer pássaro.
"Isso causará um impacto muito grande na quantidade de aves nas cidades,
porque o sagüi não tem predador natural nas cidades", explicou.
Sagüis são do Nordeste
Segundo Victor Hugo de Mesquita, do RioZoo, o callithrix jacchus
é uma espécie originária do Nordeste, e que chegou aqui através
do tráfico de animais (pessoas que compraram e trouxeram para o Rio).
Ele confirmou a informação de que os sagüis podem ameaçar a
sobrevivência dos pássaros nas cidades. No entanto, ressaltou
que ainda não existem estudos sobre o assunto e que desconhece
qualquer tipo de trabalho para retirar estes macacos da zona
urbana do Rio.
Riscos
Apesar de poder portar o vírus da febre amarela e da Raiva,
os sagüis não oferecem riscos à população, segundo informou
o supervisor do Centro de Zoonose da Secretaria de Saúde do Rio,
Vitor Berbara.
"Eles podem portar o vírus, mas isso não significa que eles
possuam os vírus. Como não temos nenhum registro de febre
amarela aqui no Rio, é bem provável que esses micos não
possuam o vírus. O mesmo se aplica para a raiva."
Os principais transmissores continuam sendo os animais domésticos,
disse.
Por serem pequenos e tímidos, as pessoas pensam que estes animais
são mansos. Mas, segundo Berbara, deve-se tomar cuidado ao se
aproximar destes animais para não ter uma surpresa ruim.
"Os micos podem ser agressivos e até podem ferir quem tenta
se aproximar deles.
Justamente por serem pequenos, eles se sentem muito ameaçados,
e a primeira reação deles é atacar", explicou.
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