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Do Leme ao Leblon, cinco postos
de salvamento estão interditados
e os outros seis, em péssimo estado
Fonte: VEJA RIO - EDIÇÃO 2009 - 23/05/07
Sofia Cerqueira
Fotos Dilmar Cavalher/Strana
From: Márcia Cristina Silveira
Pesquisar é "saber" o que vale a pena informar, e é o que
a Marcia faz. Recebemos esta matéria sobre os "Postos" na praia,
são postos de atendimento e salvamento, não devemos nos esquecer.
Não é preciso muito esforço. Basta uma caminhada pela orla da Zona
Sul para o carioca deparar com os danos provocados pela ação do
tempo e agravados pelo descaso do poder público.
Se ele estiver, digamos, apertado, o passeio à beira-mar pode
virar um tormento.
Dos onze postos de salvamento do Leme ao Leblon, dotados de
banheiros e ducha, cinco estão interditados pela Defesa Civil,
um parcialmente liberado e os outros cinco em situação crítica.
Detalhe: nos 5 quilômetros do Arpoador ao Leblon, apenas o
Posto 10 está aberto, ainda assim com parte interditada.
Grades enferrujadas, paredes infiltradas, rebocos ameaçando
se desprender e vergalhões à mostra são alguns dos problemas evidentes.
E isso acontece num serviço que caiu no gosto da população:
no ano passado, 568 155 pessoas ou cinco Maracanãs e meio lotados
usaram os 24 postos existentes na orla do Rio, 188 708 das quais
só entre Ipanema e Leblon.
Às vésperas do Pan, o estado dos postos contrasta com a estrutura
reluzente dos novos quiosques, que já somam vinte unidades
entre o Leme e Copacabana e até julho serão mais quatro.
"É impressionante como as autoridades, em vez de conservar os postos,
preferem deixá-los estragar a tal ponto que, para resolver o problema,
se torna necessário fazer uma grande obra", afirma o presidente
da Sociedade Amigos de Copacabana, Horácio Gomes.
A Riourbe, empresa vinculada à Secretaria Municipal de Obras,
informou que iniciará em junho a reforma dos postos.
É mais do que hora. "Há cerca de um mês, optamos por interditar os
que ofereciam riscos à população", explica o coronel João Carlos
Mariano, coordenador-geral da Defesa Civil do município.
"Constatamos corrosão em estruturas e risco de queda de reboco."
O tenente-coronel Carlos Antônio Marques, comandante do 1º Grupamento
Marítimo (G-Mar), que concentra os dados de salvamentos no Rio,
confirma os problemas.
"Em alguns postos, a situação é tão
precária que os guarda-vidas preferem montar uma barraca na areia
a ficar lá."
Em todos eles, projetados pelo arquiteto Sérgio Bernardes
e construídos nos anos 70, o 2º piso é usado pelo G-Mar.
Dois guarda-vidas ficam em cada posto, separado do seguinte
por cerca de 700 metros.
Atualmente, os postos são administrados pela Comlurb, que
mantém 108 garis na limpeza e no atendimento.
Funcionam, nesta época do ano, entre as 6 e as 20 horas.
No verão, das 6 à meia-noite.
Ali, os banhistas pagam uma taxa (1 real) e têm acesso a banheiro
e ducha nos postos que não estão interditados, claro.
"É um crime deixar a orla nessa situação", enfatiza João Fontes,
presidente da Associação de Moradores e Amigos do Leblon.
"Ainda bem que não faltam alternativas para quem está necessitado:
os canteiros, as árvores, o mar", ironiza.
A ex-modelo Luiza Brunet, que anda diariamente na orla, faz
coro às reclamações.
"Há muito tempo eles estão com aparência de abandono", atesta.
"Em vários países, a estrutura da orla é bem melhor", compara
a jogadora de vôlei Maria Clara Salgado, que treina em Ipanema.
E nem sempre é possível se refrescar em um dos aparelhos Cuca
Fresca (que soltam gotículas de água).
Dos onze instalados do Leme ao Leblon, cinco estão parados.
Em março, um menino levou um choque em um deles e precisou ser
levado a um hospital.
A Rioluz, subordinada à prefeitura, alega que vários danos
são causados por vândalos e que a manutenção é constante.
A situação não é muito melhor nos postos. Eles passaram por
obras na época do Rio-Orla, em 1992, tiveram o patrocínio de
marcas de bebida por oito anos e, em 2002, quando começaram a
ser administrados pela Comlurb, sofreram mais intervenções.
A nova reforma, segundo a Riourbe, durará seis meses.
Orçada em 2,7 milhões de reais, prevê recuperação estrutural,
troca de instalações elétricas e hidráulicas, sanitários para
deficientes físicos e um novo gradil, de material sintético.
A idéia é concluir tudo até o verão.
Tomara.
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