ANTIGOS TESOUROS NO QUINTAL DE UMA CASA
Detalhe do banco recoberto de azulejos antigos
encontrado nos escombros.
O dono de uma casa no Cosme Velho, na Zona Sul, descobriu no
quintal uma jóia do século 19.
A restauração do local ainda não terminou, mas já revelou
algumas surpresas. Tinha que ser num dos pontos mais bonitos
da cidade, onde a história nos cerca - seja nas águas do
Rio Carioca ou nas antigas construções do Largo do Boticário.
E foi na casa de número 32 do largo, construída originalmente
em 1835 por um importante militar do Império, que um tesouro
foi encontrado.
Tesouro que ficou durante anos e anos escondido nos fundos
do terreno, atrás de um portão.
Quando se começou a pesquisar o que havia além daquele ponto,
foi um susto só. Toda a área era absolutamente tomada de muito
lixo, muito entulho e muito mato.
"A área estava toda irreconhecível, coberta por anos de entulho.
A primeira coisa foi um caminho de pedras pé-de-moleque,
aquelas irregulares usadas nos calçamentos das ruas antigas do Rio.
Isso indicava que havia uma trilha projetada no local.
Depois, foi encontrada uma fonte e um banco, ambos recobertos
de azulejos antigos. Esses azulejos têm entre 150 e 170 anos.
São datáveis de 1830, mais ou menos.
Provavelmente existem outros que estão recobertos de entulho",
conta o historiador Milton Teixeira.
Os homens que ainda trabalham no terreno fazem novas
descobertas a cada escavação.
Eles seguem o que foi descrito num documento datado de 1860:
uma planta guardada no Arquivo Geral da Cidade. Ela mostra o
terreno em 1860, sem definir muito nitidamente que tipo
de construção havia no local.
Alguns riscos, que geram a curiosidade para buscar a história.
"No final do século 17, esta região era moradia de Cosme Velho
Pereira, que deu nome ao bairro. Quando ele faleceu, seus
descendentes venderam a fazenda, que foi loteada.
A primeira casa que surgiu foi esta. Então, é possível que
algumas dessas dependências sejam remanescentes da época
do Cosme Velho.
Há muita coisa a ser feita porque são vários séculos de ocupação.
Precisamos identificar cada construção, ver a qual século
pertence e montar o que será futuramente a reconstituição
mais próxima possível do que foi", adianta Teixeira.
Não há dúvida de que o ponto alto para entender esse pedaço
do Rio é uma pequena casa. Ela estava completamente coberta
de lama e mato, não havia mais telhado.
Com seis metros quadrados, guardava uma fonte de água
cristalina. "Tudo indica que a construção original era menor,
da altura do nível do solo.
Em algum momento do século 19 foi feita essa estrutura em
forma de capela, o que era comum naqueles tempos", diz Teixeira.
Com 1,5 metro de profundidade, a fonte recebe água do Rio Carioca
ou de algum afluente.
A região possui outras parecidas, como a Bica da Rainha,
já mostrada na coluna Histórias do Rio.
Tesouros que precisam ser preservados.
Fonte:
Fonte: http://rjtv.globo.com/RJTV.html
GERARDO MILLONE - 2007
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