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Guerra contra as jaqueiras
Fonte: Lívia de Almeida
Fotos: Saulo Mazzoni
From: Márcia Cristina Silveira

O Parque da Tijuca arranca árvores que impedem o crescimento da Mata Atlântica
  • As JAQEIRAS
  • As DRACENAS

Ela é linda, frondosa, e há quem adore seus frutos, mas para os ambientalistas trata-se de um problema.

A jaqueira veio da Índia para o Brasil no século XVII e se aclimatou tão bem que ganha a disputa pela sobrevivência com espécies nativas na Floresta da Tijuca.

"Suas folhas bloqueiam a luz do sol e, como não se decompõem com facilidade, ao cair impedem a germinação de outras espécies", diz o engenheiro florestal Henrique Guerreiro, analista ambiental do Parque Nacional da Tijuca.

"Na briga com a Mata Atlântica, a jaqueira está ganhando."

A proliferação dessas árvores vem sendo combatida de forma radical. Nos últimos cinco anos, 55 662 mudas foram arrancadas, 1 921 árvores de pequeno porte foram cortadas e outras 881, adultas, foram aneladas, o que impede a circulação da seiva e mata a planta lentamente.

"Não é uma medida simpática, mas necessária", diz o engenheiro. "No Horto e em Jacarepaguá, há trechos onde existe apenas uma mata de jaqueiras."

Segundo ele, a oferta abundante de alimento fornecido pela árvore levou a uma superpopulação de quatis e micos-estrela, animais que também se alimentam de ovos de pássaros.

"A conseqüência é que a mata está mais silenciosa", afirma.

Viveiro no Alto da Boa Vista:

60 000 mudas para recuperar a floresta Outra espécie exótica que vem dando trabalho na Floresta da Tijuca é a dracena, o popular pau-d'água, arbusto de origem africana que pode chegar a 4 metros de altura.

O geógrafo Flávio Ballesdent comandou a retirada pela raiz das plantas de uma área de 40 000 metros quadrados.

"A dracena é a inimiga número 1 do sub-bosque - arbustos e plantas de menor porte -, pois impede a passagem da luz solar e a germinação de sementes", explica ele.

No lugar das dracenas, plantaram-se cerca de 6 000 espécies diferentes, típicas da Mata Atlântica.

"Um dos objetivos é recuperar a biodiversidade da Floresta da Tijuca", conta Ballesdent.

Além dos ipês roxos e amarelos, das quaresmeiras e das aroeiras, vieram mudas de palmito-juçara, ameaçado de extinção.

Com quase 4 000 hectares, o Parque Nacional da Tijuca é um exemplo bem-sucedido de reflorestamento.

A região foi ocupada, a partir do século XVII, por plantações de cana-de-açúcar e, posteriormente, de café.

No século XIX, o desmatamento ameaçava o abastecimento de água da cidade, e em 1861 o imperador Pedro II determinou que fosse feito o reflorestamento.

Ao longo de treze anos plantaram-se 100 000 mudas. Graças a isso, mais de 140 anos depois o Rio tem a maior floresta urbana do mundo.





















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