CANOPY


Quem se depara pela primeira vez com o título acima pode até imaginar que se trata de uma palavra tupi para algum tipo de atividade ecoturística a ser inaugurada no Parque Nacional da Tijuca. Quase isso. De origem inglesa, canopy significa pálio, dossel, sobrecéu, ou seja, qualquer cobertura ornamental constituída de vegetais, flores etc. No entanto, o termo também dá nome a uma atividade turística, com essas mesmas características, desenvolvida nas florestas da Costa Rica e Panamá desde o final dos anos 70. Mais precisamente em 1978, o pesquisador Donal Perry, que passava por dificuldades ao estudar os hábitos dos morcegos, projetou uma série de plataformas suspensas ligadas em rede. Ao perceber que a invenção proporcionava uma nova perspectiva na observação da floresta, pensou: “Será que as pessoas não gostariam de experimentar essa sensação?”. Estava plantada a semente de mais uma atividade envolvendo educação e meio ambiente.

O canopy pode, grosso modo, ser entendido como um primo-irmão do arvorismo por ser realizado em meio à mata, por entre a exuberância de grandes árvores, possibilitando a observação de fauna e flora. Entretanto, diferentemente da tradicional caminhada por pontes, escadas e platôs, o canopy estabelece um circuito conectado por tirolesas e plataformas, convidando o visitante a percorrer cada trecho como se fosse um pássaro, contemplando a mata da altura da copa das árvores. Entre um salto e outro o grupo de turistas ainda recebe informações sobre as espécies animais e vegetais locais, além de relevantes dados sobre o histórico do parque. Na Costa Rica, por exemplo, o sucesso do empreendimento é tanto que cerca de 70% do turismo se destina aos locais de prática do canopy, um movimento que contribui para a divulgação dos parques e das ações ecologicamente conscientes.

E é exatamente essa a novidade que Celso Junius, coordenador do Núcleo Municipal de Apoio ao Parque, em parceria com a ONG TSI (Tropical Sustainability Institute´s), está tentando viabilizar para o Parna-Tijuca. Junius, em palestra introdutória sobre o tema, apontou alguns dos principais desafios de sustentabilidade econômica das unidades de conservação, defendendo que a concessão para implantação de equipamentos de ecoturismo deve ser a principal fonte de renda numa UC. Para tanto, convidou Gonzalo Barquero, representante da TSI, que apresentou alguns dados sobre a prática do canopy na Costa Rica. Renda alternativa para o parque, geração de emprego, uso público adequado, divulgação das ações de preservação e estímulo à educação ambiental foram alguns dos pontos positivos suscitados.

Ainda assim, discussões sobre impacto ambiental e viabilidade econômica têm de ser aprofundadas. Um estudo preliminar já estabeleceu um circuito-piloto que se estende do Restaurante Floresta ao ponto conhecido como Meu Recanto, passando por lugares de grande beleza, como o costão de pedra do Pico da Tijuca, a cachoeira do Vale das Almas e o Lago das Fadas. “O interessante é que a área escolhida está totalmente inserida na Zona de Uso Intensivo do parque, ficando de acordo com o que foi estabelecido no plano de manejo da unidade”, ressalta Bernardo Issa, chefe do PNT.

Dependendo do que apontarem as próximas etapas do projeto, como o aprofundamento dos estudos necessários, a implantação do canopy no Parque Nacional da Tijuca pode se revelar como uma nova etapa do turismo carioca. Estamos na torcida!


Canopy no PNT: projeto prevê quase 2 km de circuito

Fonte:
www.parnatijuca.blogspot.com
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